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Correr na geração millenials e as apps de running

Correr na geração millenials e as apps de running, será uma ajuda

Quando acordei, hoje de manhã, estipulei: 6 quilómetros. Era esta a meta para o dia. Acabei por ultrapassá-la em 2 quilómetros, que me levariam, pela sexta-feira, à conquista do objetivo semanal: 30 quilómetros de caminhada/corrida.

A questão é: porquê? Sabendo que ainda vou correr no domingo e que o objetivo seria, certamente, cumprido, por que razão decidi, simplesmente, fazer mais do que as milhas estipuladas?

No meu caso, diria, a razão foi a aplicação de running para iphone que tenho no meu telemóvel e toda a força inerente dos seus comentários, dos seus desafios, do número crescente de quilómetros a somar a cada passo.

Faço, inegavelmente, parte da geração millenials. Sou parte desse núcleo imenso de pessoas que cresceu com acesso privilegiado à informação e à tecnologia, numa era onde a globalização torna o conhecimento uno e permite o esbater de limites.

Estudos realizados nos Estados Unidos da América preocuparam-se, já, em perceber de que forma nós, enquanto geração informada relativamente às 1001 dietas e aos benefícios da prática desportiva, encarávamos este tipo de rotina.

A conclusão foi que, estranhamente, existia um “déficit de bem-estar” no que dizia respeito à questão, havendo inúmeros millenials cuja prática de atividade física era pouca ou mesmo nula.

Enquadrando-me no leque de idades da amostra deste estudo (que considerou 5 mil millenials entre os 14 e os 34 anos), eu fiz, durante muito tempo, parte das estatísticas desse sedentarismo.

Hoje, depois de descobrir que mudar de atitude é o primeiro passo e evitando as atitudes que impedem uma vida saudável, deparo-me, ao sair à rua, com a outra realidade da minha geração: uma realidade de desporto informatizado e portátil. Uma realidade que busca, em simultâneo, o bem-estar e a validação.

As apps de running são uma ferramenta importante para quem pratica corrida ou caminhada nos dias de hoje. Na passadeira, diria que em cada 5 pessoas, 4 levam o telemóvel na mão.

Seja uma aplicação de running para android, um aplicativo de running para iphone e independentemente da marca que assina a app, a verdade é que, algures por entre os passos das minhas corridas, lá vou ouvindo, ocasionalmente, a vozinha gravada a relembrar os objetivos alheios; ou notando, na respiração ofegante, a consulta dos quilómetros já percorridos.

Sou tão culpada desta prática como qualquer outra pessoa.

Hoje, olhei insistentemente para o número de metros, que avançava; consultei o tempo da minha passada, estudei a forma como o meu ritmo aumenta e diminui em determinados troços do percurso.

E, quando terminei a corrida, tirei uma fotografia com a aplicação, preenchi-a com os dados e partilhei a minha atividade nas redes sociais.

Já tive algumas conversas sobre estes hábitos com pessoas mais velhas – igualmente praticantes de corrida mas que não utilizam qualquer aplicação de running – e sei que esta é uma forma de encarar o desporto que, embora naturalizada, é recente e nem sempre compreendida pelos demais.

Ainda assim, ao contrário do que muitas pessoas possam julgar, eu acredito que esta ferramenta pode ser justamente aquilo de que um millenial precisa para derrubar a barreira das desculpas e do sedentarismo.

As apps de running têm, a meu ver, três componentes particularmente interessantes. O primeiro prende-se com a criação de uma motivação extra: são aplicativos onde é possível acompanhar a evolução e que promovem uma sensação de “dever cumprido”.

Em segundo lugar, a criação de uma competição saudável, mediante a possibilidade de acompanhar o progresso dos nossos seguidores e de integrar desafios de grupo.

Por fim, a possibilidade de editar fotos com os dados do exercício e de poder partilhá-las diretamente nas redes sociais, dá resposta a um dos grandes objetivos de qualquer millenial: o da partilha das atividades com o seu público (seja este constituído por amigos ou mais extenso).

Na minha opinião, todas as componentes de um aplicativo de running parecem pensadas para nos fazer lutar pela conquista dos nossos objetivos.

Além disso, ao corrermos o feed de notícias do instagram ou do facebook, não é difícil que nos cruzemos com a atividade de outra pessoa e que nos deixemos, também, motivar por isso.

Se existe um reverso da medalha? É claro que sim! Como em tudo o resto, existe um espaço para a desonestidade.

A semana passada assisti, literalmente, a uma situação caricata, na qual uma menina saiu do seu carro, equipada para corrida, tirou a sua foto, fez a sua partilha e voltou para o carro.

A atividade física efetiva não terá sido mais do que dez passos. Existe um espaço para a desonestidade. Mas ela não prejudica ninguém, exceto quem se deixa cair no sedentarismo (ao qual, mesmo sem a app, a mesma pessoa se renderia, certamente).

Aos meus olhos, “motivar e ser motivado” poderia ser a carta de apresentação de qualquer aplicação de running e, confesso, eu deixo-me levar por esta onda tecnológica.

Corro de telemóvel na mão. Partilho os quilómetros percorridos. Tiro mais fotografias do que me orgulho de admitir até que exista uma de que eu goste. E partilho nas redes sociais.

Não sei se alguém já olhou para uma das minhas fotos e decidiu sair para correr também. Sei que o contrário já me aconteceu.

E espero que, um dia, também aconteça com uma foto minha. Porque, num mundo onde a maior parte das corridas são feitas de forma obrigatória e segundo as regras estritas do mercado de trabalho e do ritmo de vida, é bom sentir a liberdade do vento no rosto, do impacto das sapatilhas no chão, do cansaço nas pernas e do sorriso no rosto.

Marina Ferraz

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