Riscos das dietas da moda

Do 8 ao 80, os riscos das dietas da moda

Dietas da moda

Somos todos culpados e é provável que não seja uma exceção: a sociedade deu o salto, na busca pela suposta “alimentação saudável” e, de súbito, uma alimentação desregrada e da qual faziam parte os alimentos mais doces e gordurosos passou a uma restrição extrema, onde se questiona cada elemento colocado no prato.

Ir dos 8 aos 80 foi rápido e teve efeitos eficazes nas culturas ocidentais, habituadas a um acesso facilitado aos mais diversos alimentos.

De repente, carrinhos de compras começaram a levar um excedente de produtos que se classificam como “bio”; “sem lactose”; “sem glúten”… um sem fim de “sem” que se manifesta numa consciência limpa e numa crença sobre o que significa ser-se “saudável” no século XXI.

A noção de que esta restrição alimentar e o corte de elementos diversos da alimentação seja saudável, no entanto, ainda está longe de ser consensual e existem vozes que defendem justamente o oposto.

Destaca-se, neste núcleo, a académica Sophie Deram, que se dedica ao estudo das questões relacionadas com a alimentação junto de pacientes com transtornos alimentares no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Para esta, o conjunto de regras aleatoriamente criadas sobre a alimentação, juntamente com todo o seu potencial restritivo, embora possa levar ao emagrecimento e gerar 1001 dietas distintas, não será a melhor opção para manter o ser humano saudável.

Na sua perspetiva é, pois, imperativo que se trabalhe no sentido de conquistar uma harmonia de equilíbrio alimentar que devolva a boa relação entre as pessoas e os alimentos.

1. Do “terrorismo nutricional” à “alimentação consciente

Um termo cunhado por Sophie Deram e que encontra diversos apoiantes é o de “terrorismo nutricional”.

Este significa, em largo modo, que as restrições alimentares do século XXI são impensadas, baseadas em poucas ou nenhumas evidências científicas e, no global, pouco saudáveis para os indivíduos.

Aqui, a pesquisadora fala das correntes dietéticas que defendem o corte completo com gorduras, açúcares, lactose, glúten ou calorias no geral.

Contrariamente à visão restritiva, esta pesquisadora e os estudiosos que apoiam a sua perspetiva, apoiam a ideia da “alimentação consciente” (do inglês, “mindfull eating”), segundo a qual as pessoas se alimentam tendo em consideração as suas necessidades nutricionais, a sua fome e sem imporem regras demasiado estritas e cuja aplicação, provavelmente, terá mais desvantagens do que vantagens.

A regra, aqui, seria a de não haver regras demasiado sólidas e de não haver proibições nutritivas desnecessárias e que possam minar a correta nutrição dos envolvidos.

2. As dietas perigosas do século XXI

Quando falamos do termo de Sophie Deram, terrorismo nutricional, são muitos os exemplos que podem ser chamados para o exemplificar.

Na atualidade, dietas da moda têm vindo substituir o aconselhamento junto de profissionais de saúde e levado milhões de pessoas a adotar estilos alimentares cujas vantagens enunciadas carecem de evidência de teste e evidência clínica comprovada.

Partindo dos argumentos dos defensores deste “terrorismo” alimentar, desconstruiremos, aqui no 1001 dietas, três estilos de dieta:

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2.1. Alimentos “sem”

Pode ser “sem glúten”ou “sem lactose”… a verdade é que estes alimentos sofreram, nos últimos anos, um aumento de 7% nas suas vendas, sem que se verifique igual aumento de intolerantes à lactose ou ao glúten.

Significa, isto, que muitas das pessoas que estão a escolher integrar estes alimentos na sua rotina alimentar não necessitam de o fazer, estando a aplicar uma restrição desnecessária e cujo potencial nocivo não é ainda conhecido.

Levado pela onda de vendas, estes produtos não se tornaram apenas mais caros do que os restantes, mas passaram ser alvo de manobras de marketing puramente comerciais.

É o que acontece, por exemplo, quando se coloca a indicação “sem glúten” ou “sem lactose” em produtos alimentares que, à partida, já são isentos deste.

Além disso, é importante referir que nos produtos específicos que merecem, de facto, este rótulo, para que o sabor se mantenha agradável, a ausência destes componentes é muitas vezes compensada com gorduras e açúcares.

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2.2. Alimentação vegan

Acompanhando uma consciencialização ambientalista, o nosso século começou a promover também uma alimentação vegan, isto é, puramente vegetal.

Muitos especialistas estão preocupados com a quebra nutricional que pode ocorrer quando, optando por este estilo de alimentação, se quebra a relação com alimentos que, desde há muitos séculos, integram a nutrição humana.

Sem os devidos suplementos vitamínicos, os especialistas temem que o corpo sofra de carência nutritiva, não encontrando, por exemplo, as doses necessárias de ferro, de cálcio ou de vitamina B12.

2.3. Dietas Paleo

O princípio da dieta paleo é comer como se comia no tempo do Paleolítico, retirando dos nossos antepassados o aconselhamento nutricional.

O argumento de quem adota este estilo de dieta é que, desta fora, os alimentos processados, as gorduras, os açúcares e o sal são reduzidos da alimentação (ou mesmo retirados desta).

Ainda assim, os especialistas de nutrição preocupam-se com os efeitos que possa ter uma adaptação alimentar a algo que já não está a uso há cerca de 10 mil anos.

Altamente baseada em proteínas (o que facilmente se explica se recordarmos que o estilo de vida no paleolítico exigia um grande gasto energético), esta dieta preocupa, hoje, os especialistas, que a julgam algo imponderada e desadequada para um estilo de vida distinto e altamente sedentário como o do século XXI.

Preocupa ainda os especialistas que, a par com os alimentos processados, se retirem deste tipo de alimentação os cereais, as batatas, os cereais e os lacticínios.

3. Uma gestão equilibrada

O equilíbrio precisa, portanto, de estar no centro dos cuidados alimentares do nosso século, para que possamos conquistar um corpo saudável e elegante, continuando a ter energia para enfrentar os dias agitados e os constrangimentos usuais dos nossos tempos.

O aconselhamento junto de um especialista de nutrição e o estabelecimento de rotinas alimentares mais racionais poderá ser a chave para conquistar uma dieta menos restritiva e, ainda assim, eficaz.

Alguma vez tentou alguma das dieta da moda? Qual? Quais foram os resultados obtidos? Conte-nos qual é o seu posicionamento relativamente a esta questão.

Algumas fontes: msn epoca.globo

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