leite

Será que o leite faz mal? O que dizem os estudos

SA ideia de que o leite faz mal tem vindo a ganhar força no nosso século. Várias notícias e estudos parecem reforçar esta ideia e mostram o leite como um inimigo da alimentação saudável. Mas será que o leite realmente faz mal? O que dizem os estudos científicos sobre esta questão? Fique a saber com o 1001 Dietas. 

Hoje em dia, todas as noções que permeiam a nutrição e a saúde estão repletas de informação cruzada (e nem sempre compatível) que cria e perpetua ideias e mitos. As dietas da moda são um bom exemplo disso mesmo, fazendo com que novos estilos de vida e modelos alimentares comecem a ser aplicados, nem sempre da melhor forma. 

O leite terá sido, provavelmente, uma das maiores vítimas das tendências. Muito se fala sobre este alimento, dizendo-se, de forma mais ou menos gratuita, que o leite faz mal; que o organismo humano não está preparado para digerir o leite; ou que apenas o ser humano insiste em consumir este alimento na idade adulta.

A par com isto, uma consciencialização sobre a existência de intolerâncias alimentares fez também com que a procura de alimentos sem lactose aumentasse e com que as próprias mães começassem desde cedo a querer saber quais os sintomas do bebé com alergia ao leite de vaca

São, de facto, muitas as questões que se levantam em torno do leite e que têm feito com que exista um decréscimo efetivo e notório no seu consumo a nível mundial. 

Mas será que realmente o leite faz mal à nossa saúde? Ou será que a ciência tem outra opinião? Hoje, fomos procurar as respostas para percebermos, por fim, quais os mitos e verdades sobre o leite. 

Acompanhe o artigo para ficar a saber se o leite faz mal. 

leite faz mal

Das notícias sobre o leite ao impacto social

A comunicação social e as redes sociais têm sido fortes promotoras da ideia de que leite faz mal à saúde. Se, nas redes sociais, este tipo de discurso é expectável e relativamente questionado; quando parte de fontes credíveis e fidedignas, a informação parece ser assimilada de forma mais acrítica.

Alguns exemplos de notícias lançadas sobre o leite partiram, por exemplo, de jornais de renome nacionais – como o Jornal de Notícias – e jornais internacionalmente consagrados – como o New York Times. 

Embora a comunidade ainda se divida e existam defensores deste alimento, que defendem a ingestão diária de leite, são muitos os que acompanham a tendência e se manifestam contra o consumo de leite. 

Em termos práticos, o resultado foi uma redução significativa no consumo de leite, estimando-se que entre os anos 2016 e 2017 se tenha bebido, mensalmente, menos um milhão de litros de leite. (1

Perante estes dados, torna-se mais importante do que nunca compreender quais os argumentos de quem defende que o leite faz mal e quais as respostas científicas a esta questão. 

1. O leite: é um alimento saudável?

leite materno é o nosso primeiro alimento e este é, sem discussões nem problemáticas, considerado seguro e importante para o nosso organismo. Já na idade adulta, o consumo de leite de vaca não parece ser tão unânime. 

Muitos especialistas de nutrição defendem que, embora o leite materno seja um alimento completo, o leite que consumimos na idade adulta, embora rico em nutrientes, não o é. 

O consumo de leite parece ser importante para o aporte nutritivo, já que contêm uma quantidade significativa de cálcio e de proteínas. 
Além disso, muitos especialistas defendem que, como qualquer outro alimento, este deve ser integrado na rotina alimentar com moderação, para que se aproveitem da melhor forma os seus benefícios. 

Mas como é a tabela nutricional do leite?

O leite é bastante rico em vitaminas – incluindo a vitamina K e a vitamina D – em minerais – como o cálcio, o magnésio, o potássio, o zinco, o fósforo e o manganês – e também em proteínas e água. As gorduras e a lactose fazem, também, parte da sua composição. 

A presença destes elementos é, em parte, o que leva os defensores do consumo de leite a descrever esta bebida como um “alimento completo”. Ainda assim, por outro lado, é necessário considerar que alguns nutrientes importantes, como o ácido fólico ou o ferro não estão presentes no leite. (2

2. Afinal o leite é inimigo ou aliado da saúde?

Existem vários argumentos a sustentar a ideia de que o leite faz mal. Os principais referem que o ser humano é o único animal mamífero que mantém o consumo lácteo na vida adulta; o facto do leite de vaca ser produzido com a intenção de alimentar bezerros e não humanos (argumento ao qual acresce o facto de sermos a única espécie a beber leite de outras espécies); e também o facto de existirem intolerâncias e alergias que reforçam a ideia de que o organismo maduro do humano não deveria conseguir digerir o leite. 

No que diz respeito ao primeiro argumento, este pode ser rebatido com relativa facilidade, se considerarmos todas as práticas alimentares (ou não alimentares) que apenas o ser humano tem.

Muitas das descobertas do ser humano e das suas práticas – como, por exemplo, cozer os alimentos ou criar equipamentos eletrónicos – são exclusivas da espécie e, em simultâneo, benéficas para a mesma. Assim, o facto de ser o único animal mamífero a consumir leite na idade adulta não significa que tal prática seja nociva. 

Em segundo lugar, o argumento de que o ser humano é o único animal a alimentar-se de leite de outras espécies estará parcialmente incorreto. Se é verdade que a maior parte dos animais só se alimenta, no começo da vida, do leite da sua própria espécie; é igualmente verdade que, quando existe disponível leite de outras espécies, este pode ser (e várias vezes foi) ingerido por crias de espécies distintas. Vários casos ao longo da história contam justamente como mães de uma determinada espécie alimentaram crias de espécies distintas. 

Além disso, o facto de o leite de vaca visar a alimentação do vitelo não significa que a sua composição nutricional não possa, também, oferecer benefícios às pessoas. 

Por fim, o terceiro argumento apresentado não está incorreto na sua totalidade. Acredita-se, tal como têm vindo a manifestar alguns estudos científicos, que o organismo humano não estivesse, inicialmente, preparado para tolerar o leite na idade adulta. Ainda assim, variadas mutações genéticas foram acontecendo como resultado da privação durante más colheitas ou quando a caça escasseava, o que levou o homem a domesticar animais e a desenvolver, ao longo dos séculos, a capacidade de digerir este alimento. (3

3. Intolerâncias alimentares e alergias ao leite

Claro que, apesar da adaptação humana ao consumo de leite, não pode deixar de ser considerado o índice elevado de pessoas que têm problemas alérgicos ou intolerâncias associadas ao seu consumo. 

A lactose é apontada como a maior culpada destes cenários, tratando-se de uma molécula do leite que necessita de uma enzima específica – a lactase – nos nossos intestinos, para poder ser decomposta. Perante a presença desta enzima, a lactose é dividida em duas partes: a glicose e a galactose; sendo esta última fundamental para os tecidos e cartilagens humanas. 

Embora o consumo de leite possa parecer, perante todas estas evidências, bastante positivo, a verdade é que a intolerância à lactose é bastante comum, derivando, justamente, da ausência ou insuficiência da enzima que divide essa molécula. 

Quão comum é a intolerância à lactose?

A intolerância à lactose é muito comum, estimando-se que 65% da população mundial não produza a lactase – a enzima essencial para quebrar a molécula da lactose. (4

A intolerância à lactose pode provocar vários efeitos nocivos no organismo, incluindo mal-estar, náuseas, flatulência, inchaços ou diarreia. Ainda assim, esta intolerância não costuma apresentar quadros clínicos mais severos. 

A intolerância à lactose não se manifesta sempre da mesma forma, havendo pessoas que não conseguem consumir nenhum produto com esta molécula e outras que são susceptíveis apenas ao leite ou a (alg)um dos seus derivados. 

E a alergia ao leite?

A alergia ao leite é muito diferente da intolerância à lactose. A pessoa com esta alergia é, por norma, alérgica à proteína deste alimento. 
Esta alergia pode apresentar respostas imunitárias severas e ter consequências bastante graves e, por isso mesmo, torna-se necessária a remoção completa do leite e dos seus derivados da alimentação. 

Com argumentos a favor e contra o seu consumo, a verdade é que não existem provas científicas de que o leite faz mal, salvo nos casos de intolerância ou alergia. Conte aos restantes leitores do 1001 Dietas qual é a sua opinião sobre esta questão. 

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